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Mudanças de atitude exigem mais do que discurso

O CEDAC trabalha com o conceito de mudança de atitude, mas não acredita que ela seja provocada apenas pelo discurso.

Valores que provocam mudanças de atitude:

   • Cuidado no convívio dos atores no processo de educação
   • Consciência da necessidade de sentido na aprendizagem
   • Valorização do papel da escola
   • Intensificação do uso da leitura e escrita
   • Valorização da cultura local
   • Sentimento de pertinência

Provocar uma mudança de atitude em qualquer pessoa é das tarefas mais difíceis de que se tem notícia. Envolve uma nova consciência, a criação de um novo hábito, o abandono de práticas e conceitos arraigados e culturalmente reforçados. Dizer que se vai provocar uma mudança cultural, uma mudança de atitude, é muito fácil. Esse termo, como tantos outros, está presente em muitos projetos, em centenas de propostas. E muitas vezes cai no vazio, fica sem sentido. Como realmente colocá-lo em prática?

No cenário da educação, é mais do que urgente provocar algumas mudanças de atitude. Para o CEDAC, contudo, de nada adianta pensar nos problemas macro se não estivermos dispostos a trabalhar no micro, que começa dentro da sala de aula. É a partir dessas relações cotidianas que podemos falar que realmente provocamos “mudanças de atitude” na escola.

 


Aluna faz monitoria em exposição sobre sua cidade

Quando o CEDAC chega em um município e entra em sala de aula, costuma encontrar alunos envergonhados, acanhados, que ficam esperando ordens para se mover. Ao longo do trabalho que efetuamos, os alunos passam a aprender a perguntar. O que ele está aprendendo passa a fazer sentido e ser prazeroso. Ele aprende a ouvir e a falar em público. Ele passa a ter orgulho do que produz e a falar do que está aprendendo. Os alunos passam de submissos, ou passivos diante das propostas, para alunos ativos.

O mesmo acontece com os professores: eles passam a ter uma postura muito mais propositiva, começam a trabalhar em grupo, saem do isolamento e entram para o trabalho coletivo. Eles passam a planejar atividades e a relaciona-las com o que querem que os seus alunos de fato aprendam.


Professoras discutem seu planejamento

A dinâmica do trabalho envolve tanto alunos como professores e inclui situações de aprendizagem com sentido, tanto do ponto de vista pessoal quanto do social. Com isso, esperamos trata-los como pessoas que pensam, que têm o que dizer, que são respeitadas.



Para que essas mudanças ocorram, atuamos de acordo com os valores que queremos ver aprendidos: tratamos os professores evidenciando o respeito como valor permanente, o erro como parte do processo de aprendizagem, o diálogo como instrumento absolutamente necessário. Quando cada um fala, mostramos que há uma relevância nesse falar.

Com esse propósito, não é possível chegar ao município com a postura de quem sabe para tratar com quem não sabe: existem conhecimentos muito valiosos observados nas práticas locais e que precisam ser ressaltados e respeitados. A proposta é estabelecer uma caminhada conjunta, de transferência de saberes e desenvolvimento de novas consciências sobre a prática. É nesse fazer cotidiano que se provocam mudanças de atitude, não no discurso.

Essas relações éticas, de diálogo, de respeito, de solidariedade, são vividas ao longo dos programas propostos pelo CEDAC. São usados não apenas recursos materiais que favorecem novas vivências: a própria relação com a equipe é um instrumento de aprendizagem. É nesse fazer cotidiano que as pessoas vão aprendendo a mudar de atitude, e essa mudança é contagiante...

Aprofunde:
Metodologia: um fazer cotidiano que provoca mudanças

 

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