Editorial

Nosso diferencial é a nossa identidade

A mídia conta com a curiosidade pelo diferente: aqui a proposta é atrair também pela identidade.

Vivemos em um mundo bastante fragmentado, em que o acesso à informação, embora desigual, está sempre presente em algum nível. São inúmeros os caminhos que levam cada sujeito a decidir o tipo de inserção que pretende no mundo. Há um sem fim de oportunidades e opções. Muitos tabus e preconceitos vêm sendo transformados a olhos vistos. Em tudo isto, a mídia vem cumprindo um papel inigualável. Ela é a porta-voz dessa transformação da sociedade.

Entretanto, é preciso considerar que a mídia vive do que é excepcional ou talvez de transformar o que é comum em único, dar um status de singularidade ao corriqueiro. Mas essa exacerbação do que é extraordinário cria uma contradição permanente: cada vez mais as luzes estão colocadas no inusitado e na expectativa de que para que a pessoa comum seja reconhecida, deve atingir o “inalcançável”. Com isso, parece-nos, de um modo geral, que o percurso de desenvolvimento, crescimento e aprendizagem que marca cada uma das trajetórias individuais não tem valor.

A educação, por sua vez, é justamente isso: zelar por e alimentar processos ordinários (o que não significa que não sejam também importantes). Ajudar cada pessoa, dentro de suas possibilidades e contexto, a se desenvolver. A educação pode até propiciar processos extraordinários, mas o metiêr de educador constrói-se no dia-a-dia, fazendo-se com que se enxergue o possível para cada um a cada momento.

Como o poder da informação globalizada é tão forte, acabamos convivendo com uma contradição permanente, em uma sociedade que teoricamente valoriza a educação e, ao mesmo tempo, veicula o oposto, o sucesso rápido, a beleza inalcançável, a juventude eterna, os símbolos de poder calcados em outros valores.

Este quadro impõe a necessidade de abrir uma frente para remar “contra a maré”. Por isto, a intenção do CEDAC de pensar o comum, os processos ordinários. Associar as trajetórias individuais à educação significa, evidentemente, reforçar os valores que ela proporciona e nos quais se assenta. Parece essencial ver retratado na mídia, com destaque, o que é absolutamente normal. Valorizar percursos comuns sem maquia-los e nem tentar atribuir-lhes algum fato inédito; chamar a atenção para as diferentes trajetórias, evidenciando o caráter extraordinário dos processos de aprendizagem, fazendo assim emergir o incomum no comum. Esse Site pretende ser um convite para experimentar uma “aventura pedagógica”.

Beatriz Cardoso
Coordenadora Executiva
CEDAC

 

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